segunda-feira, 20 de abril de 2020

O Conto Comprido. In: O Barco de chocolate


#EstudoEmCasa

Num momento em que a tua casa é tudo para ti: a tua escola, a tua cantina…..a tua biblioteca num momento  de pausa nos estudos  procura na tua estante se encontras um livro que se possa sentir como o Conto Comprido

" Era uma vez um conto muito comprido, tão comprido que ninguém o queria contar.
Vivia muito triste num canto da biblioteca porque nunca olhavam para ele.
Às vezes, quando vinham amigos lá a casa e se falava em ler alguma história para se entreterem, o conto comprido erguia-se o mais alto que podia para que o vissem. Porém, quando um menino dizia:
- Esse, esse que eu não conheço!
Rapidamente outro respondia:
- Esse não, é muito comprido.
E o conto acocorava-se cheio de pena e tapava os ouvidos porque não queria admitir que as crianças eram mais felizes lendo outra história.
Foram passando os dias, as semanas, e ele, ara se distrair, lembrava-se do tempo em que ainda estava numa pequena livraria de bairro.
Na livraria, o conto comprido sentia que era importante, as pessoas pegavam-lhe, viravam as suas páginas, e ele ficava reconfortado com o calor das mãos. Continuava à espera de que alguém o comprasse, mas pelo menos não parecia posto de lado. Agora, esquecido numa estante, quem iria saber o que tinha para dizer?
Uma velha senhora, que morava numa casa de montanha rodeada de árvores, escrevera o conto com muito carinho. A escritora era avó de muitos netos que não via tantas vezes como gostaria porque habitavam na cidade. Para além de um cão peludo não tinha outra companhia, e sobrava-lhe tempo para escrever histórias compridas que lhes dedicava. Era a maneira de se sentir mais perto da família.
O conto olhou distraidamente para o calendário e viu que já passara um ano desde que fora oferecido ao menino da casa, e desde aí ninguém o o tinha voltado a abrir. Ficou tão triste, que pela primeira vez, na sua vida de livro, começou a chorar.
O que o conto não sabia era que as suas lágrimas estavam a apagar as letras e quanto mais chorava, mais pequenino ficava.
De repente, uma menina entrou no quarto e, gritando chamou os outros:
Venham! Corram! Olhem que pequenino está a ficar aquele livro, está a desfazer-se todo, depressa, vamos buscá-lo antes que desapareça!
E o conto comprido, que agora era curto, ficou tão surpreendido quando os meninos o tiraram da prateleira e começaram a lê-lo para ver o que restava dele, que começou a chorar.
Descobriram que se tinha transformado num conto muito bonito e desde esse momento passou a ser o livro mais procurado.
Foi traduzido em todas as línguas do mundo e meninos dos mais diversos países e meninos dos mais diversos países, raças e religiões o leram com alegria e admiração."
Cristina Norton. O Conto Comprido. In: O Barco de chocolate. Ilust. Danuta Wojciechowska

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